"Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo ou serva, nem o seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença".
Epá, eu estou tão farto disto, que no que me diz respeito, o meu próximo pode meter essa merda toda no cu!
Para que é que eu, em pleno século XXI, quero um jumento, alguém me explica?! Nem falo do boi...
PS - O caro amigo autor desta história toda tem um certo fétiche com a palavra "cobiçarás", certo?...
“Não cobiçarás a mulher do próximo”.
Caro amigo que teve a ideia destes mandamentos, devo desde já dizer-lhe que isto já é abuso.
Quer dizer, daqui a pouco um gajo não anda cá a fazer nada! É tudo proibido!
Tudo bem, no tempo em que isto foi inventado não existia o fio dental, nem as mini-saias, nem os tops, nem os wonderbra, nem a silicone, o que pode ser um ponto a seu favor. Mas no entanto os tempos evoluem, e alguém devia actualizar esses mandamemtos. Do género: “Não cobiçarás a mulher do próximo se ela for pior que a tua, senão és estúpido”. Assim era mais realista. Agora cobiçar a mulher do próximo faz parte da evolução humana. Senão vejamos:
Um gajo casa-se, com uma tipa aceitável, que ao fim de cerca de dez anos está um trambolho gordo e cheio de pêlos, que só arranja o cabelo para ir aos casamentos e que a ideia de algo excitante é ficar a comer chocolates enquanto vê as dezassete novelas que dão seguidas na televisão. Ora se um gajo não aproveita os primeiros anos para lhe fazer um filho, está lixado. Quem é que tem vontade de fazer o que quer que seja a uma gaja destas? Aliás, quem é que quer estar a menos de um metro de distância de uma gaja destas? Logo, se não existirem já filhos, também nunca vão existir, o que pode ser grave. Ao fim de algumas gerações a raça humana poder-se-ia extinguir!
Mas, e aqui entra a minha argumentação, se um gajo cobiçar a mulher do próximo, que normalmente é um vizinho que se mudou há pouco tempo e tem uma mulher boa todos os dias, daquelas que a malta nem acredita que exista, já ganha alguma vontade.
E é sobejamente sabido que um homem quando está com “a vontade” martela qualquer coisa. E não há melhor embelezador feminino do que um homem de pau feito. Nessa altura marcha tudo, até o catramolho que vive connosco. Claro, o tal vizinho não cobiça a nossa mulher, mas dêem-lhe dez aninhos e ele vai perceber do que é que eu estou a falar…
Sim, já sei, esta é a altura em que as mulheres vão começar: “Ah, mas ó Pikes, os homens também ficam uns trongas do caraças ao fim de dez anos!”. É verdade. Até certo ponto. É que os homens têm sempre a opção de pagar por sexo, sejam feios ou velhos. Seja como for, aquilo já vai tendo uma certa dificuldade em levantar…
Por isso é que eu defendo: deixem o pessoal cobiçar-se à vontade, gajos e gajas. E até mesmo dar umas voltinhas. Desde que eles continuem a pagar as contas e elas continuem a fazer a comida… Ao fim e ao cabo, lavadinho e enxuto fica tudo como novo.
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.
Bem, este para já está incompleto. O meu próximo quê? Fica a dúvida…
E depois, não direi falso testemunho? Voltamos à parvoíce. Então há dois mil anos o pessoal estava familiarizado com isso do testemunho?
Nem havia tribunais… Às tantas o pessoal concordou todo, mais uma vez por ficar à toa com a frase. Por outro lado, também podia ser uma referência ao atletismo.
O que queriam dizer era que na estafeta um gajo não podia levar um testemunho falso.
Mas sendo assim, onde é que entra a parte do “dirás”? Ah, claro. Foi um erro ortográfico (escrever em tábuas dá azo a essas situações). O que na realidade o mandamento diz é “Não darás falso testemunho contra o teu próximo”. Assim já faz todo o sentido.
Portanto, este mandamento está relacionado com o atletismo, para impedir que se faça batota.
Aliás, até a questão do “próximo” fica resolvida. O teu próximo é o tipo que corre a seguir a nós na estafeta. Não se pode dar uma barra oca falsa ao colega que corre a seguir a nós na estafeta. Tudo bem, este mandamento até tem utilidade.
Mas há outro pormenor… Contra o teu próximo. Contra? Hum… Já percebi. Afinal pode-se levar um testemunho falso, mas não se pode atirar contra o próximo. Se for um testemunho falso, não se pode atirar contra. Se for verdadeiro, pode. Está resolvido.
Agora que é um bocado injusto só priveligiar um evento desportivo nos mandamentos, é! Então e o resto dos desportos?
Quer dizer, quando finalmente estava a encontrar um mandamentozito porreiro, é injusto. Voltamos à estaca zero.
“Não furtarás.”.
E Ele a dar-lhe com as palavras difíceis!
Eu acho que o facto de se utilizar esta terminologia é precisamente para a malta não compreender e depois cometer pecados. Isto é propositado, para aumentar a frequência do purgatório. Então vai-se dizer às pessoas “não furtarás”?! Eu já estou a imaginar:
- Boa tarde. Então o senhor pecou, não é?
- Bem, eu acho que não, mas ali na recepção mandaram-me vir para aqui.
- Ai não? Então o senhor vai-me dizer que não furtou?!
- Como?
- Nós temos a informação que o senhor furtou.
- Bem…quer dizer…
- Vamos, confesse! Furtou ou não furtou?
- Pronto! Furtei! Furtei, mas devo desde já dizer que foi sem querer. É que eu estive a almoçar antes de ter sido atropelado por aquela carroça, e andava aqui com uma indisposição…
- O quê?!
- É que não encontrei aqui nenhuma casa de banho…Mas olhe que não cheira. Aliás, nem sei como é que deram por isso. Deve ter sido a estúpida da recepcionista! Bolas, não me digam que vocês aqui não se cag…aham…furtam!
- O amigo não está a perceber. O senhor furtou enquanto esteve na terra!
- Porra, não me digam que queriam que um gajo estivesse até aos 57 anos sem dar um peidinho!!
- Mas você não está a entender!
- Estou, estou! Vocês querem é que um gajo rebente de peidos!
- Cale-se um bocadinho! Não furtar é um dos mandamentos!
- Hã?!…
- E você furtou!
- Ai furtei? Bom, se calhar…
- Ó amigo, furtar é tirar algo que não nos pertence sem conhecimento do dono.
- Aaahhhh!! Então era isso! É que o pessoal quando ouviu isso, como não percebeu o que era, cagou na cena. Pensávamos que não contava.
- Pois é, mas conta.
- Então mas espere lá um bocadinho. As coisas que eu gamei não contam como furtar.
- Ah não?
- Não. Os donos das coisas sabiam sempre que era eu. Uma ou outra vez até tive que lhes dar uma fragatada nos cornos para eles largarem o saco.
- Então nesse caso o senhor roubou!
- E então? É proibido?
- Claro!
- E onde é que isso está escrito? Pois é, isso nunca ninguém disse que era proibido.
- Aham…pois…quer dizer…
- Isto é sempre a mesma coisa! Anda um gajo descansadinho, sem fazer nada de ilegal, e vem aqui parar sem mais nem menos.
- Mas as informações que eu tinha…
- Não me venha agora com histórias. Eu não fiz nada de mal. Andei por lá, casei, tive filhos, não matei ninguém, santifiquei mais o sábado do que qualquer outra pessoa, até papei uma ou outra gaja de vez em quando…
- Ahá!
- O quê?
- Você cometeu adultério!
- Ei, ei! Não cometi nada! A tipa disse que tinha 19 anos!
- Não é isso! Adultério é trair a sua mulher, por exemplo.
- Aaahh! Lá está. Esse é outro dos que pensei que não contava…
Portanto, o facto de utilizar este tipo de palavras não é mais do que um esquema para induzir o povo em erro e levá-lo a cometer pecados. Isto, meus amigos, não passa de publicidade enganosa! Depois um tipo vai para o inferno sem saber porquê…
Também é certo que há muitos que se fossem para o céu se iam sentir muito sozinhos. Não conhecem lá ninguém…
“Não cometerás adultério”.
Bom, vamos lá a ver…
Esta é a gota de água!
Quem é que naquela altura conhecia esta palavra, adultério? A malta sabia o que era andar a comer a mulher de outro gajo, mas não sabia o nome que se dava a isso.
Aliás, talvez por isso, por ninguém ter percebido, é que esse mandamento funciona mais ao contrário. Aposto que se toda a gente levasse este mandamento à risca, existiriam muito menos casacos de peles nos armários de algumas mulheres.
E depois, quer dizer, isto era mesmo só para gozar. Não cometerás adultério?! Por amor de Deus (ou como terá dito o pessoal que estava a assistir ao discurso: “Por teu amor, pá!”). Então vai-se acabar com a rambóia? E há um pormenor que passou em claro. Ora se Deus fez o Adão e a Eva para depois a humanidade crescer a partir deles, como é que não podia haver adultério? Conforme já tinha abordado esta questão num Smile inicial, ao princípio o forrobodó era total, porque aquilo era irmãos com irmãos, irmãos com tios, pais com filhos, and so on, and so on. Como é que se evitava o adultério?
Ou só se lembraram deste mandamento depois? Deve ter havido uma reunião com os gajos lá de cima, do tipo:
- Bom, aquela ideia de criar a humanidade a partir só de duas pessoas não foi muito boa…
- Realmente. Foi uma confusão do camano!
- Mas o pessoal até curtiu…
- Alguns. Mas isto não se pode repetir.
- Pois não, mas agora também já não é preciso, a humanidade já está criada.
- É verdade. Mas imagina que surge aí um povo qualquer, que em apenas duzentos anos de existência se torna na maior potência mundial, e começa a criar guerras contra toda a gente e põe em risco a existência da humanidade, com as suas armas, como seu desrespeito pelas leis de preservação da natureza e com a poluição que causa? Depois tem que se começar a humanidade outra vez e alguém pode cometer o mesmo erro.
- Achas mesmo que sim? Nenhum povo é assim tão estúpido…
- Nunca se sabe. Olha que como isto está, ainda aparece para aí um continente com índios, que depois podem ser exterminados pelos colonos, e esses colonos é que vão estar na origem do tal povo assassino.
- Pois, às tantas sabe-se lá, não é?
- Já sei! O melhor é fazermos uma lei que proíba as rambóias!
- E o que é que tens em mente?
- Epá, isso depois arranja-se…
- E se disséssemos que o pessoal só podia andar a comer uma mulher durante a vida toda?
- Calma lá, não achas que isso também já é exagero?
- Quero lá saber. Eles que se orientem! Eh Eh.
E aí está. Não vejo outra razão para este mandamento.
E mais, este mandamento não só não me convence, como me faz gostar ainda menos desta história de mandamentos e mais não sei o quê!
Meu rico swing…
“Não matarás”.
Eu faço o que eu quiser e ninguém tem nada a ver com isso!
Mas este gajo manda assim nas pessoas?! E ainda trata toda a gente por tu!
Então se não posso matar, como é que um gajo se desenrasca se morar na Damaia? Ou na Zona J?
E a polícia? Só pode atirar para ferir? Não, isto vai de mal a pior.
Se fosse: “Não matarás sem mais nem menos” um gajo ainda compreendia, tudo bem.
E na guerra? Quer dizer um gajo vai à guerra, anda lá pelo mato, e de repente vê um inimigo a apontar-lhe uma arma e o que é que faz? Grita:
- Ei, alto lá! Não matarás!
- Ai não? Então desculpe lá isto, não sabia. Mas o senhor é católico?
- Sou, percebe-se assim tão bem?
- Não, mas é que já é o terceiro que eu não mato por causa da mesma coisa e lembrei-me que talvez fosse por isso.
- Claro, compreendo. Mas então o senhor é de outra religião?
- Não, também sou católico, mas faltei à catequese no dia em que se falou desse mandamento.
- Ah, com certeza. Bom, sendo assim…
- Pois é…
- É verdade…
- Sim senhor…
- Se calhar vou andando.
- Ora essa, não se empate por mim.
- Por amor de Deus, não empata nada. Ainda tenho é umas coisitas para fazer…
- Ah, sim senhor. É assim, não é?
- Pois é…
- Vidas…
- Ora…
- Bom…
- Então…
- Até loguinho.
- Adeus amigo. E desculpe lá isto, tá?
- Não tem problema.
- Ora, então o senhor estava aqui para me matar e agora eu faço-lhe esta desfeita…
- Não se incomode, eu já mato aí outro qualquer…
- Pois, oportunidades não hão-de faltar, não é?
- Pois é…
Já viram o tempo que se perdia nas guerras? Não fazia sentido nenhum.
E mais, se este mandamento fosse mesmo a sério, como é que os americanos eram católicos? Ah, ninguém se lembrou disso, não é?
Continuo renitente em relação aos mandamentos…